Logan olha com preocupação para os números dessa missão. Já esteve no Brasil antes, e em florestas e pântanos cercados de feras e ameaças - naturais ou não. Ainda assim, a Amazônia elevava as escalas a níveis monstruosos. A última grande floresta, a maior das florestas, mal explorada e sob controle de um punhado de países subdesenvolvidos.
O helicóptero HERCULES havia decolado de Suriname há uma hora e ainda não havia sinal de seu ponto de desembarque. Só o verde interminável do tapete vegetal que se estendia pelo coração da América do Sul, o pulmão do mundo.
- "Não precisa ser telepata para saber suas preocupações, Logan." - fala uma voz na mente do mutante. Uma face madura, embora não deixando de ser bela surge.
- "Eu tenho telefone, Emma". - resmunga Logan. - "Xavier não usava Cérebro para bater papo".
- " 'CérebrA' é a linha mais segura que dispomos". - fala a atual responsável pelo instituto Xavier para os dotados. - "eu recebi outro sinal do mutante que estamos procurando, e igualmente sumiu pouco depois".
- "Eu pensei que só Magneto podia bloquear o rastreador mundial"...
- "Mutantes com dons eletromagnéticos são difíceis, mas não impossíveis de rastrear. Mas talvez a natureza da mente deste mutante esteja interferindo. Vou lhe dar novidades sobre o nosso alvo, mas devo avisar que surgiram... complicações inesperadas."
- "Faz de conta que você não está falando com o Hank e me defina melhor complicações..."
O som de um par de caças tucano da F.A.B. passa rasante ao lado do helicóptero. Por muito pouco Logan não ouve o nome do novo jogador atrás do mutante, embora preferisse ouvir qualquer outro.
- Estamos sendo escoltados. - informa o piloto, com forte sotaque hispânico em seu inglês. - Tentarei contato com...
- Pule fora, garoto. - retruca Logan.
- Señor, este vôo é autorizado. O señor não está trazendo armas ou drogas ilegais, espero.
- E você já viu a Força Aérea cercar veículos suspeitos sem fazer contato com o rádio? Se quer viver... Pule fora!
O jovem piloto realmente estranha aquele procedimento. Mas o fato do seu passageiro pontuar sua ordem expondo três lâminas metálicas o dão a pressa necessária para seguir a ordem... E saltaria mesmo se não estivesse com o pára-quedas.
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- Senhor... Me explica de novo porque não explodo esta coisa...
O curador do Zoológico da Vida Selvagem de Manaus se arrepia com a declaração, vindo de um amontoado de serpentes sobre uma forma branca. Era uma única sucuri gigante, quase tão grande quanto a fictícia do filme "Anaconda" com Jenifer Lopes. Uma poderosa serpente de quase trezentos quilos se esforçando para esmagar sua presa.
O guarda puxa seu rifle e aponta.
- Está cansando? - pergunta ele. - Está fraquejando?
- Não... Só estou entediado... - fala alguém no centro da bola de escamas. - Aliás, já agradeci por ter errado seus únicos três tiros de tranquilizante numa cobra do tamanho do Teatro Amazonas?
- Eh... Já pedi desculpas. Meu parceiro deve estar chegando, e ela não vai se mover muito, ocupada com você.
- Pois é... Manaus precisava de um herói a-la "Tarzan", ou com telepatia animal. Mas basta dizer que essa besta saiu da lista dos animais ameaçados de extinção e teremos couro de cobra curtido para todos.
- Pelamordedeus não faça isso! – urra o curador. - Olha, o Tadeu chegou!
O baixinho, levemente obeso, e com barba rala corre com uma pistola plástica enquanto colocava a bala com agulha no cano.
- Ela engoliu o fedelho?
- Ainda não... E fedelho é a senhora sua mãe! - urra o "Brinquedinho". - Pelamordedeus diga que a imprensa não está aí fora.
- Não. Tudo no sapatinho... Agora só preciso...
Dois... Três... Quatro disparos de sedativos e a serpente gigante começa a afrouxar seu abraço mortal. Uma mão com uma luva branca, emitindo uma forte luz azulada surge das dobras da serpente, seguidos de um rosto buscando ar fresco. Infinito passou o total de uma hora e vinte envolto por uma serpente grande demais para ele se livrar com mera força, e importante demais para usar suas armas energéticas. Com os braços imobilizados, manteve-se com o campo de força o tempo inteiro. A força irresistível da sucuri encontrou um objeto irremovível, e não pode esmagar seus ossos para abocanhá-lo.
Mas se não fosse o fato do garoto mascarado de não mais de 14 anos se jogado contra a serpente, um curador mais frágil teria sido pego e esmagado. Claro, se o curador não tivesse se jogado entre o herói voador que fazia mira e a serpente, temendo que ela fosse ferida, nada daquilo teria acontecido.
Resumindo, foi uma missão desastrosa.
- Bem, cidadãos... - fala o garoto, visivelmente cansado e suado, embora tentasse ajeitar sua capa amarrotada. - Recomendo aprenderem a atirar na Acadepol, e que não se apeguem tanto às feras do Zoológico.
Os dois curadores se entreolham confusos. Stanley roça os dentes e parte. Aqueles dois estragaram até mesmo a frase de despedida heróica... e aquela o Infinito teve pelo menos meia hora ensaiando.
Infinito alcança os céus e ruma de volta ao Leblon Machet. Pretendia se trocar no matagal e pegar o ônibus de volta para casa. Embora pudesse voar em velocidades respeitáveis, não queria correr o risco de ser avistado muito perto de casa. O breve vôo de dois minutos deveriam bastar.
Aquela semana havia sido fraca. Ocorreram crimes, com certeza, mas nenhum que o herói tivesse a oportunidade de prevenir ou de perseguir o bandido. Era frustrante para alguém com os enormes poderes de Infinito não poder agir porque não tinha idade para ser ouvido pela polícia. Para o Batman tudo parecia mais fácil... um sujeito sombrio com sinal exclusivo... E telefone também, se considerar a série dos anos 60.
Isso antes do som dos poderosos jatos da FAB cruzando os céus de Manaus.
- Será que é problemas? - pondera Infinito. A base militar ficava em outra direção, então, ou era um treinamento ou era AÇÃO!
Embora fosse mais lento que os aviões, não era o suficiente para Infinito perder de vista os jatos.
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O piloto salta instantes antes da metralhadora do caça fuzilar a lataria do helicóptero. O segundo caça faz uma manobra de averiguação quando o pára-quedas se abre.
- Não é nosso alvo. - informa o piloto pelo rádio. - Devemos abatê-lo, Sr. Creed?
- Negativo. - uma voz jocosa responde pelo rádio. - Não parem enquanto o nanico não tiver explodido.
O caça manobra para se juntar ao segundo quando algo surge no radar. Surge e desaparece.
- Temos companhia. - fala o piloto. - Algo quase invisível... e... CUIDADO!
Infinito quis manobrar para acenar aos pilotos antes de embarcar no helicóptero que os caças estavam atacando, mas quando passou achou estranho que os pilotos não usavam capacetes como em "Top Gun". Uma segunda passada, que por pouco não foi uma colisão de frente, fez com que Stanley observasse cara-a-cara um dos pilotos. A roupa verde em dois tons em um capuz lhe era bem conhecida das madrugadas pesquisando na Internet: a Hidra.
- Estou avistando quem está na sua cola! - fala o segundo piloto. - É o cara que surgiu em Manaus uns dias atrás... Ele é ainda menor do que na tevê...
- Eu vou derrubá-lo. - fala o primeiro. - Esse porrinha não é rápido... não deve ter poder de fogo suficiente para...
A frase para no meio quando um clarão azul transforma o avião em uma bola de fogo irregular. Infinito não sabia o quanto de seu poder deveria usar contra o avião, e então disparou tudo. Ele morde o lábio sabendo que provavelmente o piloto tivesse morrido, mas uma segunda explosão mostra o assento ejetor e seu piloto deixando a esfera flamejante.
- Putz grila! ele está respondendo fogo! repito, ele está respondendo fogo!
- Já falei para explodir o caolho! - retruca Creed.
- O helicóptero não tem armas. Vou engajar o voador.
O avião reduz a velocidade e manobra próximo do Hércules. Jamais imaginaria que alguém tivesse impulso, coordenação, ou falta de juízo o suficiente para ir do helicóptero ao caça em um pulo. Wolverine agarra-se no nariz do avião, e finca suas garras de adamântiun. Depois disso, deixou que a aerodinâmica prejudicada e a velocidade do caça fizesse o serviço: as Garras rasgam lentamente a fuselagem do bico à cabine. Todos os controles indicam falha elétrica... inclusive o assento ejetor. O caça explode então, pouco depois do mutante perder o apoio e começar a cair.
Wolverine tinha levado a batalha aérea a altitudes mais baixas. Seu esqueleto de adamântiun e seu fator de cura impediriam que ele morresse com a queda... Mas com certeza iria doer...
Então, a queda é reduzida. Wolverine sente algo em sua canela. Por instinto, suas garras descrevem uma parábola certeira na cabeça de quem o segurava... Sendo detida por um campo de força azul.
- UAU! - exclama animado Stanley. - O Wolverine quis arrancar a minha cabeça! Peraí... EI!
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Mal Infinito pousa com o piloto do Hercules e Wolverine, um par de Jeeps do comando da fronteira cercam-os.
- Americano! - Fala Logan. - Do you Speak English?
Os soldados, com armas em riste urram ordens. Wolverine arranhava em espanhol, mas não entendia bem português quando não era passimonialmente ditado.
- Ele pediu que largasse as armas e deitasse no chão, senhor. - traduz Stanley, que ao contrário de Logan, dominava seu segundo idioma, o inglês.
- Avise a eles que sou um agente da SHIELD a serviço dos Vingadores.
Stanley começava a falar quando se deu conta do que falava.
- Você é dos Vingadores?!?
Logan estava com uma identificação na mão, imediatamente tomada por Infinito. Ele olhava com brilho nos olhos o cartão magnético com imagem de holograma tridimensional.
- Eh... acho que seus amigos de verde-oliva querem ver também, pirilampo azul.
Desperto do transe, Stanley estende a identificação a um guarda.
- Ele está perguntando quais seus interesses no território do Brasil... e meu nome não é Pirilampo Azul.
- Diga a eles que há um acordo entre a SHIELD e o seu governo. Mande ligar para qualquer um com título acima de Capitão que deve ter acesso às ordens de colaboração.
- O senhor conheceu o Capitão América?
Wolverine se limita a fazer um ar enfezado. Stanley traduz.
Os guardas voltam aos rádios das patrulhas e pegam depoimento do piloto do helicóptero, deixando os dois fantasiados sós.
- Cê me conhece de onde? - pergunta Logan.
- Eu baixei tudo sobre os X-men na Internet! - fala o Infinito.
- Cê sabe que mais da metade daquilo é lorota, não sabe?
- Pois é... como o Fundador do instituto ter romance com imperatrizes alienígenas. O que esse pessoal estava pensando?
- EH... o que.
- E aí? O que a SHIELD quer no Brasil tem a ver com a Hidra?
- Como você sabe da... Eh... Internet também?
- Eu vi o piloto. Não era um dos Voluntários da Pátria.
- Os cana alí não falam inglês mesmo, não é?
- Não... senão teriam rido do "Pirilampo azul".
- Bem, então só para avisar a você: não estou aqui pela SHIELD nem pelos Vingadores. Então, pode tirar o cavalinho da chuva que não vai ver o Capitão, o Aranha, nem o Homem-de-ferro.
- Tá... cê veio caçar a hidra porque é seu dia de folga. Conta outra.
- Se a hidra estivesse querendo meu alvo, eles iam fazer bem mais que disfarçar aeronaves. Vá por mim, pirralho: não tem nada para você aqui comigo.
- Bem, então eu falo que cê não está com os Vingadores e o tal tratado da SHIELD perde valor, e então, vai ter que convencer os "cana" que você pode passear sem passaporte pelo Brasil.
Logan rosna furioso. Essa maldita Internet não só deixou suas atividades conhecidas de um público influenciável como deixou moleques como aquele mais espertos.
- Só estou avisando, pirralho: não vai ter glórias aonde eu vou. Só sangue e morte.
- Mais um motivo para levar de apoio... INFINITO!!!
- Eh... menos, pirilampo.
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Sua presa era esperta. Mas não tanto.
Então, o caolho foi despachado. Como perdeu o sinal dos pilotos, com certeza Logan estaria na cola do grupo... Creed consideraria aquilo um bônus.
Então, Dente-de-Sabre olha para os que o seguiam. Três agentes da Hidra com uniformes adaptados ao "safári" amazônico... Um a menos
- Cadê o palerma nº. 4?
Os soldados se entreolham, verificam o caminho que passaram, e constatam que haviam perdido um dos seus. Na verdade,
Dente-de-Sabre já tinha percebido que desde o momento em que entraram no ninho da cobra eram observados... Só esperava que ele fosse atacado antes.
Então, um som. Um silibar.
Os soldados abrem fogo contra um arbusto, e não param enquanto houvesse munição nas pistolas.
Eles cessam... e uma cobra grande desliza para fora.
- É só um animal... - fala um dos soldados.
- Não é não... - ri Creed.
A serpente salta. Ela mostra-se muito mais comprida do que deveria ser, e muito mais letal. Agarra-se à traquéia do terrorista e ergue-o dois palmos do chão. Nova cadência de tiros, mas ao invés de tolerar o ataque, a criatura reage. Mais três cobras são projetadas. Duas agarram o braço e o abdome de outro soldado. A terceira erra, mas assombra o terrorista livre mais que suficiente para ele correr pelo caminho em que vieram e não olhar para trás.
O que foi pego pela traquéia é largado sem ar no chão enlameado. O segundo é colhido para dentro do arbusto, e seu grito ecoa na floresta.
Dente-de-Sabre sorri, impassivo com seus contratantes tombando. Apenas aguardava ser a sua vez.
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- Irmandade dos Mutantes? Sexteto sinistro?
- Só admita nunca ter ouvido falar do Dente-de-Sabre, pirilampo. - fala Logan, abrindo caminho até a trilha. Infinito flutuava logo atrás.
- E esse cara é mal?
- Muito mal.
- EU passei duas horas sendo espremido por uma sucuri de meia tonelada. Aguento um "cara mal"...
Wolverine empurra Infinito - com campo de força e tudo, contra uma árvore.
- Deixa eu deixar claro, pirilampo... Dente-de-Sabre é um maníaco homicida mutante, forte como dez ursos e com garras. Se ele tivesse paciência de duas horas, você estaria vivendo um verdadeiro inferno, entendeu?
- Tá... mas ... eh... O que ele está procurando? a tenda de Tacacá?
Wolverine afrouxa a pressão sobre Infinito.
- Um mutante. A Hidra contratou ele para encontrar um mutante em especial.
- Há. Eu diria "eu", mas não sou mutante.
- Quem disse que você não é mutante?
Infinito congela.
- Como é?
- Eu conheço a Puberdade, pirilampo. Voz grossa, pelos estranhos, pensar em garotas mais do que devia... Voar e explodir caças não estão na lista.
- Mas isso não quer dizer que eu sou um mutante também!
- E o que é que tem de errado em ser um mutante?
- Nada! Nem tem nada de errado em ser negro, japonês... Só que eu acho que eu não sou!
- Quer saber, ô pirilampo... Pega seu caminho de volta para Buenos Aires e deixa este mutante aqui trabalha.
- Hehe... Americanos... - ri Infinito. - Para seu governo, Buenos Aires não é nossa capital, e mesmo se fosse, não está na Amazônia.
- A piada da capital argentina é batida, pirralho. E eu sou Canadense. - rosna Logan. - Eu sei que Brasília é sua capital. A pergunta é: porque você defende com tanto afinco ser brasileiro e não ser um mutante?
Infinito se cala. Tudo o que não precisava era uma lição de moral.
- O... mutante que você procura ... sou eu?
- Não deve ser. Ela teve a mente detectada por ... uma amiga no instituto. Oscila entre a pura selvageria e a consciência. E a Hidra está interessada... deve ser bem poderosa...
- A hidra gosta de símbolos. A serpente mitológica com múltiplas cabeças... Que varia entre consciência e selvageria... Hmm...
- O que?
- Estamos do lado errado da floresta. EU conheço seu mutante... SUA mutante...
Dente-de-Sabre é espremido, mas aguenta bem a constrição. As presas mordiam a pele musculosa e peluda do vilão, que sorria. Se ela pudesse petrificá-lo como nas lendas estaria perdido... Mas arriscou que não era essa a natureza de seu poder.
- Então essa cobrinha não é peçonhenta! - fala ele. - Que decepção!
O mutante livra as mãos e agarra aquelas serpentes e arrasta seu proprietário. para sua surpresa, estavam presos à cabeça de seu alvo. Ele gira-a contra o tronco de uma árvore próxima, e vê a coluna vertebral da criatura dobrar-se quase o suficiente para dar uma volta inteira no tronco. Ela se levantou quase instantaneamente.
- Você é flexível... e uma tchutchuquinha!
A medusa tinha o corpo bem torneado, e as serpentes grossas eram projetadas de sua cabeça, com olhos negros vívidos e presas firmes. Ela sibilava ameaçadoramente, expondo suas presas. Dente-de-Sabre percebe porque, fora o motivo mais óbvio, o estresse da serpente: haviam trechos falhos em sua pele... ela estava à beira de uma mudança.
- Sorte sua que Madame Hidra pediu que te levasse inteira, tchutchuquinha. - fala o mutante, esfregando a língua nos dentes. - Mas se me der trabalho, tenho carta branca para um aquecimento!
Creed jamais soube se a Medusa entendia o que falava, ou talvez só se comunicasse como as feras. Mas lentamente, as presas fincadas em Dente-de-sabre afrouxavam e o largavam, embora sem perder a postura ameaçadora e exibindo suas presas.
- Boa menina. - fala Dente-de-Sabre.
Estendendo sua mão à cintura, o mutante percebe que no breve embate seu rádio foi destruído.
- Não só o cheiro quase nenhum e sem rastros, cê me faz isso! - rosna o tigre. - Cê está me dando muito trabalho e pouca diversão, cobrinha. EU me pergunto... Será que o bom e velho Logan tem um rádio consigo?
- Ela atacou Manaus há um mês. - fala Infinito, enquanto ele carregava Logan com dificuldade sobre o Rio Negro. - Tive que bater com ela umas duas vezes. Na segunda, quando estava prestes a vencer, sei lá, ela amedrontou. Naquele momento, parecia ... humana.
- Como assim?
- Uns caçadores a provocaram, e ela tava atacando a cidade Ela virava carros sem problemas, e não só esgueirava de balas como era uma contorcionista surpreendente. Mesmo em relação aos meus raios. Mas quando pensou que ia morrer, entrou em desespero... E até falou.
- E o que você fez?
- Em Manaus não tem uma UCE... o mais próximo disso é o Zôo... E recentemente caiu por terra minha confiança na competência deles. Tentei me comunicar com ela... dei umas roupas que eu trazia na mochila...
- Não me diga que você carrega roupas numa mochila também!
- "Também"?
- Esquece... - desconversa Wolverine. - E o que ela fez?
- Me bateu na nuca quando eu me virei para ela se vestir. Apaguei por alguns segundos... Acho que teria rachado meu crânio se eu não tivesse um campo de força somático quando meu principal está apagado. Vai ver ela é um agente da hidra...
- Ou uma garotinha com medo. - rosna Logan. - Mutantes também se assustam, e seus instintos de autodefesa afloram. No mais... Suba o rio...
- Mas quando ela fugiu de mim estávamos mais próximos da cidade...
- Mas eu peguei um cheiro ...
Já cansado, Stanley prefere flutuar para a margem. Wolverine passa a seguir a pé. Ele havia pego algum rastro, invisível para os olhos não-treinados de Infinito, e parte mata adentro, forçando o jovem herói a se esforçar um pouco com o vôo e o campo de força contra os galhos para acompanhá-lo.
- Dente-de-Sabre... e outros. - fala Logan.
- Alí! - grita Infinito.
Os dois seguem até um caminho aberto irregularmente com facões - ou garras - até um soldado da hidra, caído.
- Parece uma mordida de cobra na traquéia. - analisa Logan. - Sabe dizer se sua amiga era venenosa?
- Eu... não sei.
- Ele está só inconsciente. - fala Wolverine. - Algo caiu naquela moita, e outro correu na direção da cidade... mas perdi o rastro de Dente-de-Sabre...
- E a Medusa?
- Tem um cheiro sutil aqui... mas não vejo rastro nenhum...
Infinito eleva-se um pouco. A mata era fechada demais para ver a qualquer altura superior à copa das árvores, mas não entendia como eles poderiam entrar no matagal sem deixar algum rastro visível.
Infinito faz um paralelo em sua mente alguns instantes, e recorda do Dr. Octo Octávius - o Dr. Octopodus - e lembra que ele se deslocava com tentáculos cibernéticos segurando em prédios. Na floresta, só haviam árvores. Depois de olhar um pouco, ele percebe um galho descascado, com marca de dentes serrilhados.
- Sr. Wolverine...
Logan olha para onde Infinito indicava e percebe o que ocorreu: A Medusa se apoiava em galhos como cobras trepadeiras. Seus rastros eram mínimos. Mas isso não explicava como Dente-de-sabre desapareceu... A não ser que ela tivesse levado-o... como presa ou pior: como aliado.
Sabendo pelo que olhar, Logan descobre sinais em árvores mais adiante. Ele avança, deixando Infinito pouco atrás. E enfim, capta o estranho cheiro sutil que havia percebido antes... mas mais forte.
- Tem alguma coisa nesta árvore...
Wolverine escala usando suas garras de adamântiun, enquanto Infinito apontava seus punhos brilhantes para a copa. Os dois faziam silêncio, até ser ouvido o disparo de uma pistola.
O agente desacordado havia se levantado. Mesmo zonzo e sangrando, ele sacou a arma e disparou contra Infinito. A bala ricocheteia em seu campo-de-força. Infinito pensa em revidar o fogo quando o borrão sombrio salta da árvore, aterrisando com perfeição em cima do terrorista. Wolverine, nada sutilmente, golpeia-o até ficar com a cara no chão, e depois firma-se com as Garras.
- Cadê o Dente-de-Sabre, paspalho?
O terrorista tenta se soltar, mas sua força nem de longe bastaria.
- Ele nos deixou ser atacado pela serpente da floresta! - fala ele. - E depois não sei mais nada!
- Quer que eu te diga o que ele fez? - rosna Wolverine. - Ele a MATOU!
Infinito pousa junto dos dois.
- Olha só... - fala Logan, jogando algo que trouxe consigo da copa da árvore. - Matou e arrancou sua pele. Espalhou suas entranhas para os carcarás se banquetearem.
- A... Aquele MONSTRO! - urra o terrorista. - Era uma oferenda à Madame Hidra!
- Pois não é que você estava certo, pirilampo? - ri Logan, recolhendo as garras. - Se manda daqui, seu estrume. Tem seis horas para deixar o país.
O terrorista se debate e corre para o sul também. Ele volta-se para Stanley, que encarava a pele seca, reconhecendo mesmo contornos das serpentes a partir da "cabeça".
- Eu blefei com o cara. - consola Logan.
- Eu sei... Serpentes trocam de pele quando crescem. - fala Infinito. - Cê vai deixar o cara fugir?
- Não. Mas ele pode ser pego mais tarde. Nesse meio-tempo, ele vai avisar a Hidra que Creed matou seu precioso mutante-troféu. Mesmo se Dente-de-Sabre tentar se contactar, vão achar que ele só quer ganhar tempo. A hidra não vai mais incomodá-la... Bem, cê entendeu o que eu falei? Porque ainda parece deprê?
- Ela parecia variar entre o humano e a serpente... E mudou mais uma vez. - fala Stanley. - Ela parecia poucos anos mais velha que eu... Ela... Ninguém... Merece isso.
- Bem... Vamos indo.
- Para onde?
- Uma ... "amiga"... me deu um toque de onde está a Medusa.
- Camiseta do Quarteto Fantástico, short de menino... - retruca Creed. - Soube que você virou Manaus ao avesso alguns meses atrás. Só tem isso como tesouros?
Dente-de-Sabre assistiu com prazer doentio a mudança de pele da Serpente. Ela foi afetada na psique igualmente e se recolheu a um canto sombrio de seu ninho, deixando o mutante vasculhar o lar improvisado.
- Bem, cê é magrinha e tchutchuquinha... Acho que cabe essas roupinhas de criança. Veste aí, que a gente tá de ...
Creed fareja o ar.
- Ah... Logan. Até que demorou...
Dente-de-Sabre espreita pelos galhos e procura seu eterno rival no chão, jamais imaginando que o ataque viria ainda mais de cima.
Um relâmpago azulado, e Dente-de-Sabre é jogado com violência na direção do solo.
- Bom lance, pirilampo! - urra Wolverine. - Agora eu termino o serv... AHG!!!
Wolverine mal percebe as serpentes que saltam das copas e agarram seu pescoço e seus braços, erguendo-o até não tocar no chão.
Infinito aponta seus punhos na direção da origem das serpentes, temeroso pelo que sairia daquela folhagem sombria. Percebia os contornos femininos, com uma serpente extra sobrando em seus cabelos. Agora, oficialmente, a Medusa foi classificada como Mutante, e mudou. Talvez para uma forma ainda mais animalesca.
Hesitante, Stanley aumenta o brilho até iluminar sua adversária. Ele se surpreende, pois sem a pele trocada, ela era completamente humana. Mesmo cabelos escondendo as serpentes que projetavam-se contra Wolverine. Aos seus pés, a mesma muda de roupas que Stanley deu para ela se vestir... Sua pele era macia... linda. A visão aliviou - e constrangeu - Infinito.
- Eh... Você se lembra de mim, não?
Ela sibila e mostra as presas.
- Você ... só está com medo... Quer ser deixada em paz... Eu sei ... Agora eu sei. Meu amigo é ameaçador com garras e cheirando charuto vagabundo, mas ele não quer lhe fazer mal. Deixa ele ir...
- ô Moleque!
Infinito não imaginava que Dente-de-Sabre pudesse pular àquela altura. Ele colhe o pequeno herói voador e pousa violentamente com ele por baixo. Confuso com o choque, Stanley só percebe as garras voando contra seu ventre, quase faiscando contra seu campo-de-força. Sem poder rasgá-lo, e mal conseguindo apoio com o campo isolando, Dente-de-Sabre usa seu peso para forçar o pescoço de Infinito. Um peso de muito mais de cem quilos contra uma junta vital.
- SOLTA ELE CREED! - urra em fúria Wolverine, com uma ameaça tão tenebrosa que outro sádico homicida ficaria tentado a obedecer.
- Nada disso, nanico! - responde Dente-de-Sabre. - Eu esquartejo seu colega mirim, e você se vê com minha Tchutchuca. É impressão minha ou seus mini-audantes ficam mais novos a cada vez que a gente se encontra? Seu próximo vai usar fraldas? Alias... acho que ESTE já usa fraldas!
Logan não poderia fazer nada sem mobilidade. Com muito esforço, ele liberta uma de suas mãos, e exibe a garra para a Medusa.
Tanto Infinito quanto a Rainha Branca insinuaram que havia alguma consciência humana junto dos instintos animais da Medusa. Ele não sabia se cortar as serpentes teria o choque de se amputar um membro ou de um corte de cabelo mal-feito. Stanley apelou para a humana, mas Wolverine apelaria para a fera que residia na carcaça de serpente. Ele deixou claro com seus rosnados e urros selvagens que não hesitaria em amputar uma fera.
A Medusa entendeu. Ela solta Wolverine, urra uma última vez, e desliza para a copa de uma árvore distante.
- Eu imaginei que ela não tinha tutano... - resmunga decepcionado o Dente-de-Sabre.
- E você, Creed? Tem tutano?
Logan expõe as garras da outra mão, mas quando ele se aproxima, Dente-de-Sabre aumenta a pressão sobre sua presa.
- Logo terei um pouco mais... quando arrancar o deste pirralho.
Stanley mumurra algo baixo, e em Português.
- Fale mais alto, garotinho. - ri Dente-de-Sabre. - Acho que não ouvi seus gemidos.
- A tradução do que eu disse é ... mais ou menos... - fala Stanley, reunindo forças. - LIBERAR O INFINITO!!!!
A pele de Dente-de-Sabre ardia. Estava queimada muito além do seu fator mutante de cura. Sua consciência oscilava, mas a brisa o reanimou, dando vantagem à consciência sobre o desmaio...
- Devo pegar ele, Sr. Wolverine? - pergunta Infinito, observando seu alvo em queda.
- Deixe que o chão pega. - responde Logan.
Dente-de-Sabre cai pesadamente sobre a clareira de três metros de raio deixada quando Infinito libertou seu poder, e apaga de vez. Stanley vira o rosto.
- Jamais ousei usar isso em alguém antes... mas você disse que ele era durão e se curava.
- E fez bem. - fala Logan. - Em poucos dias ele vai estar novo em folha... o que é uma pena.
O barulho dos motores de um carro flutuante é percebido então.
- Eu usei o cartão de identificação faz quase quatro horas. - resmunga Wolverine. - Eles estão muito devagar nesse lance de rastreio.
- QUATRO HORAS?!? EU tenho NATAÇÃO! Minha mãe vai me...
Infinito percebe que estava diante do herói veterano e se martiriza com o momento de descontrole.
- P... Perdão, Sr. Wolverine.
- Me chame de Logan, Pirilampo.
- Só se me chamar de Infinito.
- Ceerto... Bem, a equipe de limpeza chegou. A gente dá um jeito no Creed.
- E a Medusa?
- "Não se preocupe, Infinito"
Stanley salta para trás com o susto.
- Esta é Emma, do Instituto. - explica Logan. - Ela quem me pediu para checar a tal mutante. Geralmente é serviço da Ororo, mas eu estava mais perto.
- "E graças a vocês dois, a Hidra e o Dente-de-Sabre não vão mais incomodá-la"
- Tá... - retruca infinito. - E você, dona "voz misteriosa vinda do Céu"?
- "A Medusa ainda possui muitos conflitos internos. Conflitos que ela terá de resolver sozinha. Se um dia ela estiver pronta, ela virá a nós".
- Tá bom então... - tranquiliza Infinito. - No mais, valeu, Logan. Não só pela aventura, mas por me mostrar que se eu for um mutante não vou mudar em nada quem eu sou. Prometo que estarei mais preparado para isso. Bem... Desculpe a pressa... Compromissos educacionais.
Infinito brilha com seu campo, e acelera pelos céus, em direção a Manaus. Um silêncio se segue a sua partida enquanto o aerocarro pousava e suas portas se abriam.
- Ei! Pirilampo! Não quer ... EI! Ah! já era...
- O que era aquilo, Logan?
- Nada, Steve. - diz Wolverine dando com os ombros. - Alguém que ... me ajudou.
- "Pirilampo"? - ri outro. - Não me parece um nome muito heróico...
- Você não tem muito o que falar de "Nomes de insetos" pete. - retruca Logan. - Me ajude a amarrar o Dente-de-Sabre.
- Somos dois com esse nome, Logan. - ameaça a única mulher no grupo.
- E ... devo relembrar sobre nossa política de uso dos cartões de identificação, Logan?
- Não... mas sei que você vai me repeti-las assim mesmo, não é Stark?
Os vingadores preparavam para o vôo, mas Logan faz uma última pergunta telepática à Rainha Branca.
- Deu positivo sim, Logan. - fala Emma. - Já contactei quem possa ajudar seu amiguinho.
Fim
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